Dedicamos uma semana inteira à literatura porque acreditamos que formar leitores é uma das responsabilidades da escola. Essa escolha parte do entendimento de que a leitura precisa de tempo, continuidade e espaço na formação dos alunos. Em um cotidiano marcado pela velocidade das informações e pela presença de telas, reservar um período para os livros é uma maneira de reconhecer a importância da literatura e de ampliar as experiências que proporcionamos aos nossos estudantes.
Quando pensamos na formação de leitores é comum que a primeira preocupação seja despertar o prazer pela leitura. Embora o interesse seja importante, acreditamos que a leitura, assim como outras aprendizagens escolares, exige dedicação, continuidade e, muitas vezes, esforço. Nem tudo que aprendemos na escola desperta interesse imediato e isso não significa que deva ocupar um lugar secundário na formação. O contato com a literatura pode começar por uma indicação do professor, por uma atividade proposta em sala de aula ou mesmo por uma obra que, inicialmente, pareça distante dos interesses do aluno.
A responsabilidade da escola na formação de leitores fica ainda mais evidente quando olhamos para os dados da sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada pelo Instituto Pró-Livro em 2024. O levantamento mostra que o Brasil, pela primeira vez desde 2007, tem mais não leitores (53%) do que leitores (47%) – a pesquisa considera leitor quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos três meses anteriores à entrevista. Mas veja só, ao mesmo tempo, entre os leitores de literatura de 5 a 10 anos, 67% apontaram a escola ou um professor como influência para despertar o interesse pela leitura, enquanto 61% mencionaram a mãe ou uma responsável do sexo feminino. Esses números reforçam a importância da parceria entre escola e famílias na aproximação das crianças com a literatura.
Nesse processo, entendemos que cabe à escola ampliar o repertório literário dos alunos, colocando-os em contato com obras, gêneros e universos que talvez não encontrassem espontaneamente. Esse repertório é construído ao longo do tempo e inclui tanto as leituras escolhidas pelos próprios estudantes quanto aquelas propostas pelos professores. É também o que permite que, progressivamente, os alunos se familiarizem com textos mais complexos e desenvolvam condições para enfrentar diferentes desafios de leitura, inclusive aqueles que encontrarão nos vestibulares.
Isso não significa, contudo, que a literatura esteja restrita aos livros impressos ou às atividades realizadas em sala de aula. As formas de acesso e circulação das obras se transformaram. As telas, as redes sociais e comunidades virtuais passaram a integrar o universo de referências de muitas crianças e adolescentes. Essas práticas apresentam outras possibilidades de descoberta e de troca e são extremamente legítimas, desde que acompanhadas pela escola e família.
É por tudo isso que realizamos, todos os anos, a nossa Semana Literária. Durante esse período, dedicamos uma atenção especial às diferentes formas de nos aproximarmos da literatura. Na última edição, por exemplo, tivemos a “Batalha de Rimas” e o “Poema Relâmpago” para convidar os alunos a experimentarem a linguagem de maneira criativa. No painel “O que seu professor está lendo?” compartilhamos as leituras que fazem parte do cotidiano dos nossos educadores. Já o “Sarau Literário”, organizado pelos estudantes do Ensino Médio e a tradicional “Feira de Troca de Livros” criaram espaços de encontro, troca e circulação de histórias
Ao reunir essas experiências, buscamos ampliar as possibilidades de contato com a literatura e mostrar que a relação com os livros pode assumir diferentes formas. Cada atividade é também uma oportunidade de explorar a linguagem, conhecer outros repertórios e reconhecer a literatura como parte da experiência que construímos na escola.


